Luiz Inácio Lula recolocou Alckmin e Durigan na linha de frente para defender as reformas e o rigor fiscal do governo. Não é acaso: estamos em período de campanha eleitoral, o mercado está de olho nas contas públicas, e a confiança anda abalada.
O cenário: o Brasil tem déficit fiscal crônico, dívida pública crescente, e juros altos. O Banco Central deixa a Selic em 14% ao ano justamente porque precisa combater inflação e, implicitamente, porque o risco fiscal assusta. Quando o mercado desconfia da capacidade do governo em controlar gastos, cobra mais risco via juros mais altos.
Alckmin (vice-presidente) e Durigan (secretário de Política Econômica) são nomes que historicamente o mercado ouve com atenção — especialmente Durigan, conhecido por argumentos técnicos rigorosos. A estratégia é clara: colocar "gente que o mercado acredita" para repetir que o governo está série com controle de despesa.
Mas aqui está o nó: o mercado não funciona com discurso apenas. Funciona com números. Enquanto as promessas de reforma administrativa, revisão de benefícios e controle de gastos não virarem lei aprovada e executada, a desconfiança segue. E, enquanto isso, o custo do dinheiro público fica caro, corrói a folha de gastos (porque precisa pagar mais juros na dívida) e aperta ainda mais o orçamento.
Em resumo: o governo está tentando ganhar confiança. O mercado aguarda prova de que essa confiança é merecida.