A Selic se mantém em 14% ao ano (conforme de 16 de setembro de 2026), e esse patamar alto continua redefinindo os atrativos de quem investe em renda fixa. Para entender o efeito: imagine R$ 10 mil em um CDB pagando 100% do CDI (que acompanha a Selic). Neste cenário, você toca R$ 1.400 em um ano — sem risco de crédito comparável a títulos do tesouro.
Taxas altas como essa mudam o cálculo de qual classe de renda fixa faz mais sentido. Títulos prefixados (aqueles cuja taxa é conhecida de entrada, tipo um LCI a 12% a.a.) já foram estruturados quando o cenário era outro — se a Selic cair no futuro, o prejuízo deles sobe. Títulos pós-fixados (CDI, Selic), ao contrário, ganham fôlego quando a taxa fica alta: cada mês que passa, o rendimento acompanha o piso de 14%.
Papéis atrelados à inflação (como CDBs indexados a IPCA+) ocupam meio de campo: dão proteção contra inflação, mas com taxa real menor que o prefixado — faz sentido se você teme que inflação suba ou que a Selic caia em breve.
O aprendizado não é novo, mas segue válido: quanto mais alta a taxa de juros, mais atrativa a renda fixa fica em comparação com ações (que enfrentam concorrência). Quando a taxa for cair (e vai cair um dia), quem acompanhou essa trajetória vai estar mais preparado para reposicionar mentalidade — não em pânico.