A Selic segue em 14,25% ao ano, e isso não é mero detalhe. Para colocar em perspectiva: esse patamar coloca o Brasil entre os países com maior taxa de juros real (ou seja, descontada a inflação) do planeta. Enquanto isso, bancos centrais de economias desenvolvidas fazem fila para cortar juros — o Fed manteve sua taxa, e a expectativa é de flexibilização nos próximos meses.
O problema brasileiro é claro: inflação gruda acima da meta. Com IPCA de 0,58% em maio e a economia ainda aquecida, o Banco Central sinaliza que o piso pode estar aí mesmo — dificilmente a Selic desce rápido. A consequência é que quem tem dinheiro em renda fixa pós-fixada (atrelada ao CDI/Selic) está colhendo frutos: um CDB ou aplicação em fundo de renda fixa rende bem. Mas quem paga juros — pequenas empresas, famílias endividadas, consumidores — sofre.
E aqui mora o alerta silencioso que ninguém grita: as famílias brasileiras estão numa corda bamba de endividamento. Crédito ao consumidor dispara, e com juros tão altos, o aperto da renda fica insuportável para quem tomou crédito barato antes e agora refinancia a taxas astronômicas. Enquanto investidor pode se beneficiar de renda fixa generosa, a economia real desacelera — e isso, eventualmente, volta.