Há praticamente uma década, o consenso era praticamente unânime: os preços do minério de ferro iriam desabar. Geólogos, economistas, analistas — todos concordavam que era questão de tempo. Mas aí virou meme. Os preços não desabaram, e a Vale segue lá, lucro atrás de lucro.
A expressão que analistas gostam de usar é "higher for longer" — mais alto, por mais tempo. Significa que, em vez de cair como previsto, o minério ficou elevado numa faixa que ninguém realmente esperava sustentar. As razões são várias: demanda chinesa mais firme do que o pessimismo imaginava, oferta controlada, investimentos em infraestrutura em países em desenvolvimento.
Agora vem a pergunta que o mercado faz: e se esse patamar for de verdade? Ou seja, e se o minério não voltar aos preços super baixos que todo mundo previu? Para um investidor de renda variável, especialmente quem olha para commodities e grandes mineradoras, muda bastante a premissa de rentabilidade. A rentabilidade deixa de ser "queda seguida de recuperação" e passa a ser "renda em patamar alto, indefinidamente" — coisa bem diferente.