Warren Buffett acaba de dar o passo final: depois de passar a CEO para Greg Abel há alguns meses, ele agora deixa também a presidência do conselho da Berkshire Hathaway. Aos 96 anos, o homem que transformou uma tecelagem quebrada em uma potência de US$ 1 trilhão está, literalmente, saindo de cena.
Por que isso importa? Porque Buffett é mais que um gestor — é um símbolo vivo de como paciência, diversificação e não pânico funcionam na prática. A Berkshire sob seu comando atravessou 13 recessões, crises de crédito, bolhas de internet e de imóvel, e saiu mais forte. Ele nunca tentou cronometrar o mercado. Nunca segue modinha. Compra caro quando há pânico (2008), vende caro quando há euforia (dot-com).
A sucessão é um teste real: Abel consegue manter essa filosofia? Ou a Berkshire vira outro fundo grande, preso em gestão de patrimonial? Historicamente, quando grandes mentes deixam o poder, o que diferenciava a instituição desaparece — não sempre, mas frequente.
Para o investidor PF brasileiro, a lição é atemporal: ninguém bate o tempo. Nem Buffett vai bater (ele sabe disso). O que funciona é ter regra, paciência e ignorar as manchetes. Quanto mais velho fica quem tem sucesso, mais simples fica a mensagem.