A Vale fez um movimento que não chamou atenção dos jornais de economia, mas que diz algo importante sobre para onde a indústria de mineração está olhando: investiu US$ 190 milhões para comprar 30% da Ligga Mineração, uma empresa que atua na região de Carajás, no Pará.
Para a Vale, US$ 190 milhões não é exatamente uma quantia que balança o resultado. Mas o que vale anotar é o tipo de minério que a Ligga produz: estamos falando de materiais de alta qualidade, aqueles que mandam bem em processos mais sofisticados e que têm demanda crescente em setores como tecnologia e energia renovável.
O movimento reflete uma tendência maior: grandes mineradoras estão menos interessadas em expandir volume puro (minério de qualidade mais comum) e mais focadas em acesso a depósitos de alta qualidade e menor custo de produção. É como a diferença entre ter muita água ou ter água potável — quantidade ajuda, mas qualidade resolve mais.
Com essa compra, a Vale ganha influência sobre um ativo (a Ligga) que já está ali no seu quintal (Carajás é uma das maiores operações da empresa) sem precisar gastar uma fortuna em um projeto verde do zero. Eficiência de capital, como dizem os analistas.