Enquanto os investidores estrangeiros vêm arrastando dinheiro para fora da bolsa brasileira nos últimos meses, a BlackRock segue com uma leitura bem diferente: ela aposta que Brasil e América Latina são os principais destinos de capitais globais nos próximos anos.
O movimento pode parecer contraintuitivo. Afinal, é verdade que o fluxo externo na B3 reverteu e registrou saídas fortes recentemente. Mas a BlackRock não está olhando só para o curto prazo. A gestora identifica no Brasil um mix de fatores que atrai capital estrangeiro: economia em recuperação, ativos ainda precificados com prêmios de risco (ou seja, mais baratos em relação ao potencial), e acesso a segmentos como tecnologia, consumo e commodities que interessam fundos globais.
O que importa aqui é simples: grandes operadores internacionais não discordam por acaso. Quando BlackRock e similares mudam a posição sobre um país, o fluxo tende a seguir — pode demorar alguns trimestres, mas segue. Isso não quer dizer que o caminho seja reto (volatilidade é esperada), mas indica que quem tem holding de longo prazo tem razão em ficar de olho no Brasil como destino.
O desafio agora é manter essa narrativa viva enquanto o país resolve seus dilemas de inflação, taxa de juros e confiança fiscal.