Um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) chamado Taranis tinha em carteira R$ 697 milhões de créditos, todos vindo de processos judiciais. Sete anos depois, quanto entrou em caixa do fundo? Zero reais. Calote total.
O que é um FIDC? É um fundo que compra direitos — normalmente jurídicos ou créditos em risco — e promete render se aqueles direitos forem 'realizados' (ex.: processo ganha, você recebe a grana). Na teoria, é uma forma de ganhar retorno em ativos que bancos não querem manter. Na prática, quando os processos não andam (e na justiça brasileira isso é rotina), o fundo vira um buraco preto.
O Taranis é caso exemplar de promessa irrealizável: dependia de sentenças saindo rapidinho e dinheiro entrando — não rolou. A carteira foi marcada a mercado em R$ 697 milhões. Quando ninguém recebe nada durante 7 anos, fica claro que a avaliação era ficção. O prejuízo pesa de verdade nas contas de quem era cotista.
A lição é dura mas cristalina: FIDC tem rentabilidade atraente justamente porque o ativo é arriscado. Processo judicial é arriscado de verdade — prazo indeterminado, custo caro, resultado incerto. Quem mete grana nisso apostando em retorno rápido está jogando esperança, não investindo.