O Redata foi aprovado no Congresso e abriu as comportas: empresas de data centers estão animadas para avançar projetos. O regime oferece tributação especial para operações de inteligência artificial e computação intensiva, tornando o Brasil mais competitivo nesse mercado.
Mas tem uma pegadinha que os investidores técnicos já estão mapeando: ter energia é uma coisa, conseguir transmitir até os data centers é outra. O Brasil tem sobra de geração (hidrelétricas, eólicas, solares funcionando bem), mas a infraestrutura de transmissão está antiga e congestionada em alguns pontos. É como ter uma torneira aberta em casa, mas os canos da rua não aguentam mais vazão.
Construir novas linhas de transmissão leva tempo, exige licenças ambientais, e custa dinheiro — justamente o recurso que está caro em um ambiente de juros altos. O setor começa a conversa sobre modernização da malha de transmissão, mas não é um botão que se aperta de um dia pro outro.
Para investidor de olho em infraestrutura, a oportunidade está em: (1) empresas que ganham com a demanda crescente de energia (geradoras), (2) transmissoras que conseguem captar recurso para expandir, e (3) players globais de data centers que apostam no Brasil. O risco é que, sem transmissão adequada, a rentabilidade fica contida.