Universalizar o saneamento no Brasil é um dos maiores desafios de infraestrutura do país. O custo? Nada menos que R$ 1,2 trilhão. Para colocar em perspectiva: é como reescrever a plumbing inteira de uma grande cidade, mas em escala nacional.
O problema é que vivemos em um ambiente onde os juros estão lá em cima (Selic em 14%), e as empresas já carregam uma dívida considerável. Financiar um projeto dessa magnitude com capital tradicional fica caro demais. Por isso, o setor começa a olhar para diversificação de fontes de investimento. Parcerias público-privadas, fundos de investimento, até capital estrangeiro — qualquer coisa para pulverizar o risco e o custo.
O Redata (regime especial de tributação para data centers) foi aprovado e mostra que o mercado consegue mobilizar capital em torno de megaprojetos quando há regras claras. A lição está sendo aplicada aqui: se o governo estruturar bem o modelo, atrai grana de muitos cantos ao mesmo tempo.
Mas aqui está o nó: sem saneamento universal, cidades continuam caras de manter, a saúde pública sangra com doenças preveníveis, e a produtividade econômica fica para trás. É um investimento que se paga com o tempo — economia interna mais forte. Para investidor, a chance está em monitorar como saem os editais e marcos regulatórios: fundos e programas de concessão podem abrir espaço para captação de capital em renda fixa e equity.