O dólar segue firme acima de R$ 5,16, e essa informação que pode parecer chata para quem só quer saber do câmbio turismo tem consequências reais no bolso do investidor de renda fixa.
Quando o dólar está alto, a moeda estrangeira se torna mais cara para empresas brasileiras que têm dívida no exterior — ou mais cara ainda para importar. Isso aumenta a inflação potencial aqui dentro, o que força o Banco Central a manter os juros (a Selic) onde estão: em 14% ao ano. Parece paradoxal (afinal, estamos em ciclo de queda), mas é o jogo.
Para quem tem dinheiro em renda fixa prefixada ou pós-fixada (atrelada à Selic ou CDI), essa situação segue vantajosa: juros altos = retornos maiores. Um CDB prefixado a 11% ao ano ainda é interessante quando a inflação medida (0,07% no mês mais recente) segue baixa. Mas há um risco que cresce: se o dólar cair de repente (o que acontece em momentos de menos nervosismo global), o BC pode acelerar a queda de juros, e aí os retornos prefixados perdem competitividade.
O panorama atual é de cautela bem fundamentada: renda fixa local paga bem, mas o cenário global é dinâmico.