O dólar saiu de 5,20 por real, enquanto o IPCA caiu 0,32% em agosto — a deflação mês a mês pode parecer boa notícia, mas o cenário é mais matizado.
Primeiro, a deflação mensal. Quando o IPCA recua de um mês para o outro, é tentador achar que tudo ficou mais barato. Realidade: alguns setores desabam (alimentos com safra abundante, combustível em queda), enquanto outros mantêm preço firme. O Banco Central acompanha mais a tendência de médio prazo — a inflação acumulada — do que o movimento de mês para mês. Mesmo com uma queda pontual, se a Selic em 13,75% não cair rápido, a taxa real (Selic menos inflação esperada) fica apertada.
Agora, o câmbio em 5,20. Dólar forte mexe em duas frentes: importadores pagam mais caro para trazer produtos de fora (o que pode gerar inflação importada — especialmente em commodities), e investimentos estrangeiros que entram no Brasil se desvalorizam em moeda local (menos atrativo investir aqui quando o real cai). Por outro lado, exportadores ganham competitividade, o que muda o balanço de ações de empresas focadas fora.
O pano de fundo é incerteza política e fiscal. Grandes fundos estrangeiros seguram a entrada de dinheiro até clareza sobre rumo da economia e contas públicas. Sem isso, o dólar tende a ficar firme.