Dario Durigan, ministro da Fazenda, entrou na segunda-feira, 31 de agosto, numa onda que é praticamente obrigatória em Brasília: falar que os juros estão altos demais e que há um plano para baixá-los. Dessa vez, o nome é pomposo: "plano fiscal de sete passos".
O diagnóstico que o ministro traz é correto: a Selic em 14% ao ano é de fato pesada para uma economia que cresce pouco. Juros nesse patamar funcionam como um freio — tanto para investimentos em empresa quanto para o consumidor que financia um carro ou casa.
O que Durigan promete fazer a partir de 2027 são ajustes fiscais (menos gasto público, mais receita, ou ambos) que em tese permitiriam ao Banco Central abaixar a taxa. A lógica é: se o governo gasta menos e não precisa se refinanciar tão agressivamente, a demanda por crédito cai, a inflação fica mais sob controle, e aí sim há espaço para reduzir juros.
Mas repare bem: o plano é para 2027. Até lá, as contas continue pesadas — e a Selic segue onde está. Quem tem renda fixa prefixada paga o preço hoje (aprisionado em taxas que viraram obsoletas). Quem tem pós-fixada (atrelada à Selic) segue recebendo em dia, mas sabe que cada ponto percentual de redução futura será ganho bem-vindo. O mercado aprendeu: promessa fiscal em Brasília funciona como remédio caseiro — a gente acredita um pouco, mas segue tomando o Dorflex enquanto o inchaço não passa.