O ministro Dario Durigan, interlocutor econômico da campanha de reeleição de Lula, veio a público reconhecer que instabilidade no STF prejudica a economia. Não é uma frase aleatória: é o governo admitindo, basicamente, que riscos institucionais mexem com investidor.
O pano de fundo é mais profundo. Há semanas, o meio empresarial cobra Lula (e a sua equipe econômica) por clareza: qual será a política fiscal num eventual quarto mandato? Aumento de impostos? Corte de despesa? Durigan tentou contra-atacar, dizendo que existe "preconceito fiscal" do mercado contra o presidente — ou seja, que o mercado é rigoroso demais com Lula e mais benevolente com outros governos.
O problema é que confiança não se constrói com rótulos. Mercado precisa de dados, não de rótulos. Sem uma visão clara e crível de como a conta pública será fechada nos próximos anos, investidor segue cauteloso — e isso se reflete em prêmio de risco, ou seja, a taxa que ele exige pra emprestar pro governo fica mais alta.
Durigan tem razão em um ponto: desconforto institucional afeta economia. Mas enxugar gelo com as mãos não resolve. Enquanto não houver concretude sobre ajuste fiscal (aumenta receita, corta despesa ou ambos?), a conversa fica só no nível da desconfiança mútua.