Depois de quatro anos vivendo no conforto do excesso de oferta (e margens apertadas), o mercado agrícola global acaba de receber um aviso: o El Niño está de volta.
Para quem não acompanha clima, El Niño é um padrão que aquece o Oceano Pacífico e desorganiza as chuvas em várias regiões produtoras — é basicamente um interruptor que reduz colheitas em alguns lugares enquanto favorece outros. O resultado é volatilidade de preços, porque o mercado fica incerto sobre quantas safras virão.
O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo. Chuvas irregulares aqui significam quebras de safra, preços internacionais mais altos (o que melhora as exportações brasileiras, mas afeta o custo doméstico de alimentos), e repercussão direta no IPCA. Se as chuvas caem aqui e em outros pontos chave (como EUA), você tem estresse de oferta global — e isso encarece alimentos para o consumidor brasileiro.
Para o mercado de capitais, essa incerteza climática traz volatilidade a ações de produtoras agrícolas e exportadoras. Fundos imobiliários com foco em propriedades rurais também podem sentir, já que produtividade afeta aluguéis. A boa notícia: essa volatilidade também cria oportunidades para quem consegue discernir ruído de sinal real.