A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, há um descompasso claro: enquanto o mercado discute austeridade fiscal, estrutura de juros e reformas estruturais, a campanha política segue em outras frentes. Gestores brasileiros acompanham essa distância com uma mistura de atenção e ceticismo.
O vácuo importa porque define o risco político. Quando os candidatos não endereçam explicitamente a trajetória fiscal, investidores precisam chutar cenários — e chutes de risco tendem a precificar pessimismo. A Selic já está em 13,75%, o dólar segue elevado, e a confiança oscila. Tudo isso é influenciado pelo que esperam (ou desesperam) do próximo governo em termos de gastos, endividamento e política monetária.
Para além da incerteza imediata, o padrão revela algo estrutural: há uma desconexão entre o que economistas identificam como prioridade (como a produtividade que mencionamos antes) e o que está no debate público. Isso deixa espaço para surpresas — tanto para cima quanto para baixo — após o resultado das urnas.
O investidor está naquele ponto em que observa, mas não antecipa grandes moves até o cenário ficar mais claro. É prudente.