Existe uma divergência estranha na economia brasileira: o PIB não para de crescer (já são 13 trimestres seguidos sem queda), mas a produtividade — ou seja, quanto cada trabalhador consegue produzir — fica para trás. É como uma fábrica que expande a produção apenas contratando mais gente, sem melhorar as máquinas ou os processos.
Essa defasagem importa porque determina o potencial real de crescimento do país. Se você cresce só adicionando mão de obra, em algum momento bate no teto. Produtividade é o motor de verdade: significa fazer mais com menos, gerar riqueza de forma sustentável.
O problema vem de raízes conhecidas: infraestrutura deficiente, educação desigual, regulação complexa e baixo investimento em tecnologia. Quando a produtividade não sobe, os salários também não conseguem acompanhar de forma consistente, a competitividade internacional fica abalada, e até os retornos de quem investe aqui sentem o impacto a longo prazo.
Tal assunto ganhou destaque agora porque economistas e gestores veem um cenário em que a economia continua crescendo, mas de forma frágil — dependente de consumo e estímulos, não de ganho estrutural de eficiência. Para o investidor, é um lembrete: o crescimento do PIB é apenas parte da história; entender o que está por trás dele define se esse crescimento é sustentável ou frágil.