A esfiha sempre foi símbolo de resistência no varejo brasileiro. Mas até ela tem limite quando os juros não param de subir. O Grupo Gennius, controlador das marcas Habib's, Ragazzo, Tendal Grill e Mita, entrou em recuperação judicial após meses de negociações com credores. Na lista, dívidas que somam bilhões — um reflexo direto do ambiente de juros altos que vem apertando o caixa de empresas que dependem de endividamento pra funcionar.
A Selic em 14% ao ano deixa qualquer operação de crédito caríssima. Quando você pega R$ 100 milhões a essa taxa, está pagando R$ 14 milhões por ano só de juros — antes de qualquer custo operacional. Para uma rede de franquias que vive de margens operacionais apertadas e cliente sensível a preço, fica insustentável rápido. O Gennius tentou se defender com uma cautelar contra credores meses atrás, mas a pressão continuou.
Isso importa porque sinaliza uma onda: quando o varejo de médio porte começa a ceder, significa que o aperto monetário já saiu dos números no relatório de banco e virou realidade nas ruas. Não é colapso, mas é um aviso de que empresas alavancadas estão sentindo dor real. A recuperação judicial pode dar respiro pra reestruturar, mas o cenário de juros altos não muda amanhã.