Quando economistas e investidores começam a prever inflação maior que a meta do Banco Central, é sinal de que ninguém acredita que os juros (por mais altos que estejam) vão conseguir controlar os preços sozinhos. Isso é o que significa "desancora de expectativas".
Nos últimos meses, a confusão fiscal brasileira (guerra de narrativas sobre quanto o governo vai gastar, incerteza sobre ajuste) mandou as projeções de inflação para cima. Se você pergunta a um analista hoje qual é a inflação esperada para 2026, provavelmente ele chutar algo acima da meta de 2,5% que o BC persegue. Isso não é paranoia — é a reação racional a sinais mistos que o país está enviando.
Por que isso mexe com você? Porque inflação maior corrói seu poder de compra. Se você tem R$ 100 mil em renda fixa rendendo 14,5% ao ano nominalmente, mas a inflação sobe para, digamos, 5% ou 6%, seu ganho real (que é o que importa) fica bem mais magro. É como trabalhar achando que vai ficar rico, mas descobre no fim do ano que a moeda desvalorizou.
O Banco Central sabe disso e continua sinalizando mais aperto — ou seja, a Selic pode subir mais. O duelo agora é entre o BC tentando convencer o mercado de que controla a inflação e o mercado, que olha pro fiscal, para a guerra política e pensa "acho que não". Quem ganha esse duelo no fim? Tempo vai dizer.