O Banco Central não pode relaxar. O IPCA de maio fechou em 0,58%, o que pode parecer pequeno até você lembrar que isso em um mês, acumulado para um ano, vira uma inflação bem palpável. A inflação ainda está aí, batendo na porta, e isso explica por que a Selic continua em 14,25% a.a. — o juro nominal mais alto do mundo desenvolvido.
O que está pressionando os preços? Basicamente tudo que você enxerga no supermercado e na rua: energia, combustível, alimentos. A inflação de serviços também não sai do mapa — é mais teimosa. Quando o Banco Central sobe juros, na teoria isso desestimula consumo (porque ficar devendo fica mais caro) e, com menos gente comprando, os preços desaceleram. Funciona? Às vezes. Mas leva tempo.
O pano de fundo: a economia brasileira ainda está quente demais. Emprego está bom, consumo firme, aumento real de salário pela inflação ainda não foi completamente corroído. Isso tudo mantém a demanda alta, e demanda alta, com oferta limitada, = preços em pé.
A questão agora é se o BC consegue derrubar a inflação sem quebrar a economia no processo. A próxima reunião do Copom (conselho que decide a Selic) vai ser observada com lupa — o mercado tenta decifrar se sobem, descem ou mantêm os juros.