Kevin Warsh assumiu o comando da política monetária do Federal Reserve essa semana e logo deixou claro o recado: o aperto continua. Enquanto a Casa Branca sinalizava esperança por cortes de juros, ele revisou as projeções de queda para cima — ou seja, os juros americanos devem cair menos do que se esperava.
Porquê importa? Porque o Fed e a Casa Branca no mesmo barco é raro. Warsh, um expoente mais técnico e menos influenciável, se recusou a dançar conforme Trump assobia. A inflação ainda está perto do teto de conforto nos EUA, então seguir cortando juros rápido seria arriscado.
Pra quem quer entender o efeito cascata: juros altos nos EUA atraem dólar. Quando o dólar fica caro, moedas emergentes (como o real) sofrem pressão. E quando o real fica mais fraco, importações caras afetam inflação aqui dentro. É um dominó que começou com a decisão de um cara em Washington.