As NTN-Bs (aqueles títulos que você compra pensando em proteção contra inflação) estão oferecendo retornos tão generosos que gestores profissionais começaram a reclamar publicamente que o mercado ficou disfuncional. Estamos falando das maiores taxas desde o governo Dilma — uns 8 a 9 anos atrás.
Qual é o problema? Quando um ativo "seguro" paga demais, significa que o mercado está precificando desconfiança extrema. As NTN-Bs pagam IPCA mais um spread (juros acima da inflação), e esse spread está nos piores níveis porque investidores exigem compensação gorda para emprestar pro governo. Traduzindo: o mercado acha que a inflação vai ficar alta por muito tempo, e quer ser bem remunerado por isso.
O lado bom (pra quem vai comprar agora) é que essas taxas altas significam retorno real muito melhor do que costuma ser. O lado ruim é que essa disfunção impede que o mercado de renda fixa indexada à inflação funcione normalmente — spreads tão apertados (com margens mínimas) deixam o sistema congestionado.
O IPCA segue sob controle (0,16% em junho), mas a percepção de pressão inflacionária futura mantém tudo travado nessa faixa incômoda. Gestores estão de olho se a Selic vai mexer — atualmente em 14,25% ao ano — como sinal de que o governo vê luz no fim do túnel.