A dois meses da eleição presidencial, a discussão sobre o tamanho do deficit brasileiro ainda não ganhou destaque no debate político. Enquanto isso, o mercado financeiro bate o martelo: a situação fiscal do Brasil é como um imóvel com fachada impecável mas estrutura comendo solta por dentro. Não é colapso iminente, mas é deterioração silenciosa.
O que preocupa não é a dívida em si — é a velocidade com que ela cresce e a falta de plano claro para reequilíbrio. Quando as despesas públicas sistemicamente superam a receita, a conta chega caro: juros mais altos pra financiar essa diferença, moeda pressionada, espaço menor pra investimentos em infraestrutura e educação. É matemática básica.
O timing importa porque, historicamente, discussões de ajuste fiscal ganham espaço APÓS eleições. Se nada mudar depois, a Selic segue onde está (14% a.a.) ou pode subir mais, apertando ainda mais o financiamento da máquina pública. Para o investidor, o sinal é simples: o que você investe hoje já precisa considerar um ambiente de juros elevados por mais tempo.
Nenhuma criatura mágica vai resolver isso do dia para a noite. Mas ignorar o problema também não faz desaparecer.