O mercado de crédito brasileiro está vivendo um momento que merecia mais atenção do que está recebendo. Com a Selic em 14,25% ao ano e sem perspectiva real de queda nos próximos meses, os bancos e fintechs que emprestam dinheiro se veem numa armadilha: os juros estão altos, mas o spread (aquele percentual extra que eles cobram por cima da taxa básica) desabou para mínimas históricas.
Por que isso importa? Simples: quando o spread cai, significa que a concorrência por cliente está acirrada. Empresas de crédito estão brigando tanto por mercado que abaixam a margem que lucram em cada operação. Mas aí entra o problema: com juros altos do lado da demanda (pessoas e empresas pegando dinheiro emprestado a 14%+ ao ano), o risco de calote sobe. O mercado está, basicamente, precificando mal o risco, cobrando pouco spread justamente quando deveria estar cobrando mais.
E tem mais: a população brasileira está altamente endividada. Isso significa que muita gente que pegou empréstimo está tendo dificuldade de pagar. Fintechs como a Kesh estão tentando criar produtos criativos (tipo cashback de juros) para aliviar essa pressão, mas a realidade é que o sistema está sobrecarregado.
O cenário é frágil. Se os calotes começarem a subir de verdade nos próximos trimestres (e tendem a subir quando juros ficam altos por muito tempo), empresas de crédito que operam com spread apertado podem sofrer bastante.