O Produto Interno Bruto do segundo trimestre (divulgado no início de setembro) trouxe um recado incômodo: a economia está perdendo fôlego. Depois de um primeiro trimestre impulsionado por estímulos (saques de FGTS, auxílios extras), o ritmo de crescimento caiu — é como quando você corre com força inicial e sente as pernas pesarem no meio da maratona.
O problema não é só o número em si, mas o que ele revela: os estímulos temporários que ajudaram a segurar a economia têm limite de tempo. Eles injetam dinheiro rápido, movem consumo, mas quando acabam, o motor fica exposto. E estamos vendo isso agora.
Em ano pré-eleitoral, essa desaceleração mexe com os planos do governo. Há pressão para manter a economia aquecida — afinal, crescimento tira votos; recessão, tira mandatos. Mas a conta não fecha sozinha: você não pode sair estimulando indefinidamente sem encarar a inflação, os juros e o fiscal.
Por trás dos números, há uma discussão estrutural: quanto de crescimento é real (mudança na produtividade, investimento) e quanto é pura injeção de dinheiro? Essa resposta importa porque define o que vem adiante. Se a economia real está fraca, nenhum estímulo ponual a salva por muito tempo.