Recuperação judicial virou tendência. Chilli Beans, Ri Happy, e tantas outras marcas conhecidas passaram por esse rito nos últimos tempos. Não é coincidência — é reflexo de um Brasil que, para empreendedores com dificuldade financeira, tornou mais atrativo pedir ao juiz para pausar as contas e reestruturar do que entrar numa luta corpo a corpo com credores.
O problema? O processo virou um jogo de poder nem sempre transparente. Credores de diferentes categorias (banco que emprestou, fornecedor que vendeu a prazo, funcionário que tem salário atrasado) nem sempre saem do outro lado com o mesmo tratamento. Uma cautelar aqui, uma decisão ali, e o jogo muda de cara. É como um torneio onde as regras mudam conforme o juiz acorda de que lado da cama.
Para o mercado, isso levanta uma questão mais profunda: se recuperação judicial virou a válvula de escape padrão para empresas em aperto, isso reduz o incentivo para que gestores se comportem bem desde o começo. Se há sempre um juiz pronto a congelar as dívidas e dar um restart, por que suar?
O mercado notou — tanto que alguns começam a chamar brincando de "os novos IPOs". Não porque gosto de sair (exit), mas porque é basicamente o mesmo espetáculo público, com advogados, jornalistas, e stakeholders todos assistindo. O diferencial? Aqui não há acionistas festejando a valorização. Há credores rezando para recuperar algo.