A Raízen conseguiu um feito raro no Brasil: colocar a maioria de seus credores de acordo para uma recuperação extrajudicial. Estamos falando de R$ 66 bilhões em dívidas. Para quem acompanha mercado de renda fixa, esse número é assustador.
Mas a empresa está se mexendo. Vendeu seus ativos de refino e distribuição na Argentina por US$ 1,4 bilhão, fazendo caixa num momento crítico. A recuperação extrajudicial é menos traumática que a recuperação judicial (que passa por tribunal e demora anos). Aqui, a empresa negocia direto com credores e tenta sair do buraco mais rápido.
O que isso significa na prática? Credores, bancos e investidores que emprestaram dinheiro pra Raízen vão ter que aceitar receber menos ou em prazos mais longos. Não é bailout do governo, é reestruturação privada mesmo. A empresa tenta se refazer, credores abrem mão de parte do ganho, e a gente vê se Raízen consegue respirar de novo.
Essas operações costumam abrir precedentes. Se Raízen conseguir sair dessa, outras empresas em aperto vão usar o mesmo caminho. Se não conseguir, mostra que o sufoco no setor é real e profundo.