A Selic está em 14% ao ano — e isso muda o jogo da renda fixa. Para quem acompanha o mercado, essa informação sozinha já faz sentido: quanto maior a taxa de juros, mais atrativo fica emprestar dinheiro ao governo ou ao banco, porque o retorno promete ser maior.
Aqui entra um detalhe que separa os investidores entre duas tribos. Quem escolheu renda fixa prefixada (aquela onde você sabe EXATAMENTE quanto vai ganhar no vencimento, fechado no dia da compra) agora colhe o fruto: o preço desses títulos sobe quando a Selic é alta. É o oposto do que acontecia em 2021, quando as taxas estavam lá embaixo e prefixado sofria.
Para colocar números: imagine R$ 10 mil em um título prefixado rendendo 12% ao ano, comprado quando a Selic era baixa. Agora que a taxa subiu para 14%, se alguém quiser vender esse título antes do vencimento, ele fica mais caro para quem quer comprar (porque o novo investidor poderia conseguir 14% em vez de 12%). Resultado: ganho de capital.
Por outro lado, quem está começando a investir em renda fixa pós-fixada (aquela que sobe e desce com a Selic, como CDI ou títulos ligados à taxa) também não se queixa: os novos CDBs e títulos públicos saem do forno com taxas mais generosas. E para quem já tinha esses investimentos, a Selic alta significa que o dinheiro continua rendendo bastante a cada mês.
O tabuleiro está montado. A questão que fica é quanto tempo a Selic fica por aqui — e só o Banco Central sabe a resposta.