A Selic segue em 13,75% ao ano, e isso é música aos ouvidos de quem investe em renda fixa. Um CDB ou uma Letra de Crédito do Imobiliário indexados ao CDI (que acompanha a Selic) seguem entregando retornos em dois dígitos — rentabilidade que há pouco tempo parecia coisa de cinema.
Mas enquanto isso, o quadro maior segue conturbado. O dólar está em R$ 5,15, o que pressiona quem tem dívida em moeda estrangeira ou importa. O próprio Banco Central reconhece, implicitamente, que há instabilidade — o ministro Dario Durigan admitiu que a "instabilidade no STF atrapalha a economia". Traduzindo: a gente até tem juros altos, mas o risco político segue ali, roendo a confiança.
A bolsa, por sua vez, amargou quedas na semana — puxada principalmente pelas ações de IA, que desabaram após falas cautelosas dos líderes do setor (Sam Altman e Dario Amodei) sobre o ritmo de desenvolvimento. Se você acompanha a Ibovespa, já reparou que a reação vem quando o mundo inteiro reage em uníssono. Aqui não é diferente.
O recado para quem aloca em renda fixa é direto: aproveita enquanto o prêmio está generoso. Mas não caia na armadilha de pensar que isso significa deixar tudo na renda fixa. Selic alta é sinal de que o mercado reprecia risco — e isso afeta tudo, desde como você olha para a bolsa até como calcula o retorno esperado de cada classe.