A Selic segue firme em 14,25% ao ano, e o IPCA do mês foi de 0,58%. Para quem vive no mundo da renda fixa, são números que montam um cenário cada vez menos ignorável: a remuneração básica está de novo em nível que vale discutir sem envergonha.
Um CDB ou Tesouro Selic a 100% da Selic, por exemplo, devolve 14,25% brutos em um ano (e se der sorte, 80% disso depois do IR). Não é riqueza instantânea, mas também não é brincadeira — especialmente se você compara com o histórico recente, quando as taxas andaram no chão.
O IPCA seguindo acelerado (0,58% em maio) reforça a conversa sobre prefixado versus IPCA+. Quem acredita que inflação vai cair coloca energia em renda fixa prefixada. Quem acha que inflação demora mais para ceder coloca em IPCA+ — que ajusta a inflação do período e ainda adiciona um "ágio" em cima (costuma ficar entre 5% e 7% ao ano). A escolha entre um e outro agora exige opinião real sobre para onde vai a inflação.
O ponto: o cenário de taxa alta torna a renda fixa menos invisível. Muita gente só lembra que existe quando começa a render de novo.