Na renda fixa tem um sócio que aparece na hora de resgatar: o leão. E o quanto ele morde depende de uma coisa que muita gente ignora, o prazo.

O Imposto de Renda incide só sobre o rendimento, nunca sobre o que você aplicou. Se você colocou R$ 1.000 e virou R$ 1.100, o IR cai sobre os R$ 100 de ganho, não sobre os R$ 1.000.

E a alíquota cai conforme o tempo. É a chamada tabela regressiva:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

Ou seja: quanto mais tempo você deixa o dinheiro parado, menos imposto paga sobre o ganho. Resgatar no terceiro mês e resgatar depois de dois anos são jogos diferentes, mesmo que a taxa anunciada seja idêntica.

O que confunde: dois investimentos com a "mesma taxa" podem render diferente no seu bolso só por causa do prazo e do imposto. Por isso comparar pela taxa bruta engana. O que importa é o líquido, o que sobra depois que o leão passa.

Alguns formatos são isentos de IR para pessoa física, como LCI, LCA e a poupança. Isso não os torna automaticamente melhores: um investimento tributado pode render mais mesmo pagando imposto. Isenção é um dos fatores da conta, não o veredito.

A lição comportamental: o prazo não é detalhe, é parte do rendimento. Antes de aplicar, pergunte "quando vou precisar desse dinheiro?". A resposta muda o quanto sobra pra você. E pra não fazer essa conta de cabeça, o simulador já mostra o valor com o IR descontado.