A inflação do mês saiu bem comportada (0,07%), e o mercado respira aliviado. Só que tem um porém: o IPCA acumulado no ano ainda bate distante da meta de 3% que o Banco Central persegue. É tipo aquele paciente que melhorou da febre, mas continua fraco.
Enquanto isso, dentro do governo e fora dele, cresce a pressão para cortar a Selic dos atuais 14% ao ano. O argumento é que se a inflação está caindo, para que manter juros tão altos? Faz sentido — mas só em parte. O BC segue cauteloso porque sabe que inflação expectativa (aquilo que as pessoas ACHAM que vai acontecer) ainda está acima da meta.
A tensão está em como conciliar dois objetivos que puxam em direções opostas: dominar a inflação de verdade e não apertar tanto a economia. O fiscal (gasto público) é outro lado dessa conversa que não dá trégua. Enquanto não ficarem claros os cortes de despesa, o BC fica entre a espada (pressão política) e a parede (controle de preços).