Quem acompanha o mercado sabe que o Fed é tipo aquele chefe que todo mundo fica de olho. E na quarta-feira passada, Kevin Warsh, novo comandante da casa, mandou um recado bem claro: a taxa de juros americana fica onde está por enquanto.
Isso pode parecer uma notícia tranquila lá no exterior, mas aqui no Brasil mexe bastante com o jogo. Enquanto o Fed mantém os juros altos para controlar a inflação americana, o Banco Central segue subindo a Selic (que está em 14,25% ao ano) porque precisa lidar com inflação daqui também. Resultado: Brasil com uma das maiores taxas de juros do mundo, enquanto a taxa americana fica travada.
A questão é essa tal contradição que Tony Volpon, professor de economia, apontou: o Brasil sobe a Selic pra frear inflação, mas ao mesmo tempo fica mais caro tomar crédito, o que desestimula a economia. Enquanto isso, lá fora, o Fed já começa a dar sinais de que pode começar a cortar no futuro próximo — enquanto aqui a gente sobe.
Para o investidor, isso significa que ativos em dólar (desde ações americanas até títulos no exterior) continuam com rendimento atrativo, enquanto renda fixa brasileira fica cara demais para compensar o risco. É o clássico dilema: onde colocar o dinheiro quando os sinais piscam em cores diferentes?