O mercado financeiro tem um novo padrão: quem quer crescer em crédito não precisa mais de agência bancária. Apps de entrega e plataformas de e-commerce descobriram que a própria base de usuários é uma mina de ouro para emprestar dinheiro — e o mercado todo está seguindo essa onda.
O iFood acabou de captar R$ 600 milhões vendendo cotas de um fundo de crédito próprio, fechando uma estrutura que mostra como essas empresas viraram, de fato, gestoras de risco de crédito. A novidade não é ter um fundo; é o tamanho: os FIDCs (fundos de investimento em direitos creditórios) ligados a delivery e e-commerce já ultrapassaram R$ 25 bilhões em concessão de empréstimos no Brasil.
Por que isso importa? Porque esses fundos estão oferecendo retorno acima da Selic (que está em 14,25% ao ano) e abaixo do que você pagaria em um empréstimo pessoal convencional. Para quem investe, significa uma classe de ativo menos conhecida, mas com fluxo previsível. Para o mercado, significa que o crédito está se descentralizando: não é mais só banco que empresta, é plataforma que conhece seu cliente, seu histórico de compra e sua capacidade de pagamento em tempo real.
O risco? Está aí também. Esses fundos dependem de quanto as pessoas conseguem pagar de volta. Se a economia desacelera e as vendas caem, o calote sobe. Por enquanto, porém, a demanda por crédito das plataformas segue forte — e os investidores veem ali um segmento menos afetado pelas taxas de juros ruins que bancam a maioria das operações tradicionais.