Os fundos multimercados vivem uma encrenca. Em 2024, puxaram R$ 349,1 bilhões em resgates líquidos (ou seja, mais gente sacando do que entrando). O motivo? Rentabilidade abaixo da expectativa e o tal do modelo "2 por 20" — uma taxa de administração de 2% ao ano mais 20% do ganho — que corrói o retorno.
As gestoras estão acordando pro problema e começam a repensar as taxas. Alguns fundos já sinalizaram redução, tentando reter clientes. Mas é um dilema: se mantêm taxa alta, mais gente sai; se baixam muito, a receita da gestora cai.
Por que o "2 por 20" virou problema? Imagine R$ 100 mil num multimercado que rende 8% ao ano: você recebe R$ 8 mil, mas paga 2% de taxa (R$ 2 mil) só pra administração. Se o fundo ganhar nesse ano, ainda perde mais 20% do ganho. Com renda fixa prefixada ou pós-fixada oferecendo CDI ou Selic (14% agora), sem essas taxas todas, muita gente prefere sair.
A reestruturação de taxas é educativa, por assim dizer: força a indústria a rever modelos que talvez não façam mais sentido. Quem estava em multimercado precisa pensar se o fundo justifica a taxa — comparando com alternativas em outras classes — ou se prefere sair.