Os fundos multimercados estão vivendo um drama que não é novo no mercado financeiro: o de produtos que nasceram para entregar retornos especiais, mas não conseguem justificar o preço cobrado. Em 2024, saíram nada menos que R$ 349 bilhões desses fundos — uma combinação de baixos retornos, altas taxas e a disponibilidade crescente de alternativas mais baratas.
O modelo tradicional desses fundos é o "2 por 20": uma taxa de gestão fixa de 2% ao ano sobre o patrimônio, mais 20% dos ganhos gerados. Faz sentido? Num fundo que bate o mercado com sobra, sim. Mas quando o fundo fica igual ao mercado (ou pior), a taxa acaba comendo o retorno inteiro. Uma pessoa aplicada percebeu isso há tempos.
Agora os gestores começam a mexer na fórmula. Reduzir a taxa fixa ou atrelar mais a performancia (em vez de cobrar tanto só por estar lá) é a saída que alguns enxergam. O problema? Admitir que o modelo antigo não funcionou é praticamente pedir desculpas aos clientes que saíram.
A boa notícia é que isso pode abrir espaço para fundos mais honestos sobre seus custos. A indústria, enfim, vê que ou muda ou desaparece.