O Brasil está vendo um sinal de alerta no mercado corporativo: o número de empresas em recuperação judicial (RJ) cresceu 21,2% de junho do ano passado para junho deste ano, totalizando 6.341 companhias protegidas da falência. Esse número não aparece do nada.
O culpado é uma combinação clássica de aperto: juros altos reduzem a oferta de crédito (bancos emprestam menos porque o risco aumenta), e quando os débitos viram impagáveis, a RJ vira o porto seguro para negociar com credores sem ir à falência total. É basicamente uma pausa forçada para tentar se reorganizar.
O detalhe importante é que o mercado de crédito está dividido: enquanto tem dinheiro disponível, a disputa entre credores e devedores ficou mais acirrada. Quem empresta quer juros mais altos para compensar o risco. Quem toma está aperto. O resultado é que muitas empresas que conseguiriam rolar a dívida em tempos normais agora não acham espaço para respirar.
Isso afeta desde pequenas prestadoras de serviço até players maiores que alavancaram demais. Para o investidor que olha bolsa, FIIs ou crédito privado, a mensagem é: o estresse das companhias está subindo, e isso pode aparecer em calotes ou redução de dividendos. Quem tem exposição a crédito corporativo vale acompanhar de perto qual nome está sob pressão.