O Brasil vive um dilema clássico: tem uma dívida pública cada vez maior, o que assusta o mercado e mantém os juros altos. Juros altos encarecem tudo (financiamentos, crédito para as empresas) e machucam o crescimento. Mas quando o governo tenta gastar menos para reduzir a dívida, a economia desacelera mesmo assim. É um circo de espelhos.
Ontem, o BTG Pactual sinalizou que o impulso fiscal recente (mais gastos do governo) elevou o que chamam de taxa neutra — basicamente, o patamar de juros que o Banco Central acredita ser "certo" para manter a economia equilibrada. Resultado: os juros longos (aqueles títulos que você compra para daqui a 5, 10, 30 anos) estão subindo no Brasil, puxados por essa incerteza fiscal.
O secretário do Tesouro já veio a público garantir que não há risco de calote da dívida. Tecnicamente, não há mesmo (o governo sempre consegue rolar sua dívida quando vence). Mas o mercado não está preocupado com calote amanhã; está vendo a trajetória de mediano prazo e perguntando: "Isso vai explodir?".
A Selic oficial está em 14% ao ano. Renda fixa prefixada oferece retornos reais (acima da inflação) que só existem quando há incerteza. Ações sofrem porque empresa cresce pouco com juros altos. É o enxame inteiro que sente o vento.