A inflação brasileira não quer sair de cena. Estamos na metade do ano com os preços ainda acima da meta e, pior, as expectativas das pessoas e do mercado sobre onde a inflação vai estar no futuro continuam desencontradas — é como tentar frear um carro cujo freio não responde direito.
O Banco Central tem trabalhado para trazer a inflação para baixo, mas o alívio até agora foi mínimo. A Selic continua em 14,25% ao ano, ainda bastante elevada. O problema é que essa taxa alta de juros tem um custo monumental: o governo está pagando mais de 8% de todo o dinheiro que a economia gera em forma de juros da dívida pública. Para ter ideia, é como uma família que ganha R$ 10 mil por mês e destina mais de R$ 800 só para pagar os juros do cartão de crédito.
Essa conta de juros crescente deixa menos espaço no orçamento para outras despesas — investimento em infraestrutura, saúde, educação. E sem crescimento econômico robusto, fica mais difícil reduzir a inflação de verdade. É um nó que o próximo governo vai ter que desatar, e não dá pra ignorar.