A inflação brasileira não dá sinais de querer sair. O IPCA do mês ficou em 0,58%, mas o que preocupa mesmo é aquilo que os economistas chamam de inflação de expectativas desancorada — ou seja, o mercado já espera que a inflação fique alta, então aumenta preços "por segurança", o que realiza a profecia.
Mentanto, a Selic está em 14,25% ao ano. É dizer: taxa de juros nos patamares máximos que o Banco Central consegue colocar. O alívio monetário que chegou foi mínimo — não deu nem um suspiro.
O próximo governo entra numa sinuca de bico. Se baixar juros cedo demais, corre risco de a inflação disparar (porque juros altos é o que freia a economia e, com ela, a pressão de preços). Se manter juros altos por mais tempo, enterra de vez o crescimento econômico e a folha de empregos fica pesada.
Soma isso ao fato de que o governo já destina mais de 8% de toda a riqueza do país (PIB) só para pagar juros da dívida. Quanto mais alta a taxa, mais caro fica o governo manter suas contas — é um círculo que sufoca.
Em resumo: a economia chega a 2026 com uma herança pesada. Inflação colada, juros no teto e uma fatura de juros que corrói o orçamento.