Agosto veio com surpresa rara: o IPCA caiu 0,32%. Isso significa que, em vez de subir, os preços tiveram uma pequena queda no mês — uma deflação. É um respiro em um ano marcado por pressão inflacionária, mas não é sinal de que tudo virou de repente.
O que importa mais para quem tem renda fixa na carteira é que a Selic continua em 13,75% ao ano, e isso não deve mudar tão cedo. Quando o banco central mantém a taxa de juros nessa zona (alta em termos históricos), os investimentos atrelados ao CDI — que é a taxa que bancos cobram uns dos outros e orienta tudo quanto é produto pós-fixado — seguem renderizado bem.
Quem tem CDB, LCI, LCA ou fundos de renda fixa pós-fixada continua recebendo o que esperava. A deflação pontual de um mês não derruba a taxa Selic, que segue sendo o principal driver do retorno desses ativos. Vale lembrar que deflação em um mês isolado é diferente de deflação sustentada: um mês mais barato não significa que os preços cairão permanentemente.
O cenário segue assim: taxa de juros alta (o que é bom para quem tem dinheiro emprestado), inflação sob pressão (mas não controlada), e dólar em patamar elevado (5,16 reais). Nada disso é motivo para panico-selling de renda fixa, muito menos para perseguir risco desnecessário.