Lembra quando a gente vivia a pandemia e o Banco Central deixou a Selic voar baixo — coisa de 2% a 3%? Naquele tempo, mesmo com tudo fechado, emprestar dinheiro saía barato. O Brasil brincar de economia desenvolvida foi interessante enquanto durou. Mas aí a conta chegou.
Agora, com a Selic em 14,5% a.a. e o IPCA acumulado beirando o limite, o mercado começou a puxar as expectativas de inflação futura pra cima — e não é só boato de barbearia. As projeções de inflação futura dispararam pra patamares que a gente não via desde 2015. Quando a expectativa de inflação sai do eixo, o Banco Central precisa subir taxa pra frear o preço das coisas, e quem paga essa conta é investidor, empresa e consumidor.
O pior é que isso não é cenário de Hollywood — é economia de verdade. Juros mais altos pressionam as margens das empresas, encarecem a compra de casa ou carro, e obrigam quem poupa a carregar ativos mais voláteis em busca de retorno. A austeridade morna lá atrás saiu cara.