O otimismo com a inteligência artificial não mudou só os preços das ações de tech. Ele reacendeu também as expectativas de crescimento dos lucros corporativos nos Estados Unidos num ritmo impressionante, similar ao que se viu na recuperação pós-pandemia de 2021. E aí vem a pergunta que qualquer investidor mais experiente já fez: será que o mercado está precificando lucros reais ou só apostando que a IA vai virar ouro?
O fenômeno é conhecido: quando a expectativa de crescimento acelera, as valuações (quanto o mercado paga por cada real de lucro) também sobem. Tudo bem enquanto o crescimento de verdade acompanha. O problema é quando ele não vem e as ações já embutem ganhos que nunca se realizaram. É a clássica história do mercado de ações: precificar o futuro é arriscado porque o futuro é incerto.
Para o investidor brasileiro, essa conversa importa porque bolsa americana e nossa bolsa dançam a mesma música. Se lá começar a haver decepção com lucros, o movimento reflui globalmente — e quem tem exposição internacional sente. Mas também é um lembrete: crescimento de lucro real é o que sustenta preços altos no longo prazo. Sem ele, especulação não dura.