O Mercado Livre colocou os pés no setor farmacêutico — e nem precisou de muito tempo para abalar a indústria. Depois de comprar uma pequena farmácia em São Paulo em setembro de 2025, a plataforma começou a vender medicamentos sem receita. Nos últimos dias, foi um passo além: passou a oferecer remédios que exigem retenção de receita, como antibióticos e até GLP-1 (aquele inibidor de apetite que virou febre).
O mercado financeiro reagiu na hora. As ações das grandes redes de farmácia foram às ruas — queda pesada no pregão. E não é difícil entender por quê: a Natura & Cia, dona do Natura, Avon e The Body Shop, tem estrutura de lojas físicas, custos fixos altos e uma base de clientes muito menor que a do Mercado Livre. Quando a competição sai dos preços e vai pro alcance e conveniência, quem tem 300 milhões de clientes na plataforma leva vantagem.
Isso não é só notícia de varejo. É disrupção acontecendo em tempo real. O padrão é conhecido: plataforma grande entra num setor, oferece praticidade e muitas vezes preço melhor, e as estruturas antigas sofrem. Já vimos isso em mobilidade (Uber), hospedagem (Airbnb), marketplace geral (o próprio Mercado Livre). A saúde está chegando agora.
O detalhe é que medicamento não é sapato: envolve regulação, eficácia, confiança. O Mercado Livre precisará navegar isso — mas a dúvida do mercado é se consegue fazer a preço menor mantendo qualidade. Se conseguir, a rede farmacêutica convencional está de fato em aperto.