O Brasil passou recentemente por um teste de estresse severo no crédito. Com a Selic em 14,25%, as empresas enfrentavam juros mais altos e era mais difícil conseguir dinheiro no sistema bancário tradicional. Aí entrou em cena o FIDC, o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios.
Os FIDCs funcionam assim: investidores (pessoas físicas, fundos, instituições) colocam dinheiro num fundo que compra direitos de crédito direto de empresas. É tipo um intermediário que pula o banco. Com a alavancagem das empresas subindo e os bancos mais cautelosos, esses fundos viraram a porta alternativa quando o financiamento tradicional fechava.
O número impressiona: o mercado de FIDCs já bate perto de R$ 1 trilhão. Ou seja, praticamente uma trilionésima de reais em crédito "desintermediado" — saindo direto do investidor para a empresa, sem necessariamente passar por um banco. Isso redefiniu como as empresas brasileiras conseguem caixa para tocar a operação.
O lado positivo é a liquidez: em momentos de aperto, quem tem acesso ao FIDC consegue se financiar sem depender só de agência bancária. O lado a observar é que FIDCs carregam risco — quando uma empresa não consegue pagar, quem perde é o fundo, e por tabela o investidor nele. A queda recente na alavancagem corporativa ajudou a diminuir esse risco, mas continua lá.