A Selic está em 14,25% ao ano, e esse nível não é acidental. O Banco Central usa a taxa de juros como principal ferramenta para controlar a inflação — quando a inflação ameaça sair do controle, sobe a Selic para encarecer o dinheiro e frear gastos e empréstimos.
Por enquanto, o IPCA (a inflação oficial) está sob controle: em junho registrou 0,16%, um número baixinho que sugere que a corrida contra o aumento de preços ainda está em curso. Mas lá fora, nos EUA, a ex-presidente do Federal Reserve Janet Yellen está soltando sinais de alerta: há risco de a inflação americana subir mais que o esperado, e isso pode bagunçar planos globais de redução de juros.
O que isso significa na prática? Enquanto o Copom mantém a Selic elevada, quem investe em renda fixa pós-fixada (aquela atrelada ao CDI ou à Selic) segue capturando retornos generosos. Um CDB ou uma aplicação no fundo DI a 100% do CDI está entregando algo próximo de 14% ao ano em retorno bruto — valor que fica significativo depois de descontar o imposto de renda.
Para renda fixa prefixada, o cenário é mais delicado: se o mercado espera que a Selic caia no futuro (o que reduziria os juros das novas operações), quem travou um prefixado hoje a uma taxa mais alta saiu ganhando. Mas até lá, o piso elevado de juros segue beneficiando quem está rentabilizando dinheiro no curto e médio prazo.