A renda fixa prefixada em dólar nunca saiu de moda — mas estava adormecida. Com a Selic em 14,5% no Brasil, por que alguém colocaria dinheiro em um título que rende 4% ou 5% em dólar? Resposta: depende do que você pensa que vai acontecer daqui pra frente.
A inflação nos EUA e em outras economias desenvolvidas continua controlada (bem abaixo de 3%), o que significa que as taxas de juros lá fora podem começar a cair antes do que o mercado apostou alguns meses atrás. Quando os juros caem, os preços dos títulos antigos (que pagam juros mais altos) sobem. Virou moda entre gestoras internacionais voltar a olhar para renda fixa global como parte da estratégia — não só por rendimento agora, mas pela possibilidade de valorização.
O dólar entra nessa conta? Sim, mas como efeito colateral. Se você tem dinheiro em dólares (seja aplicado num título ou em caixa), e o dólar valoriza frente ao real, tudo que está em dólar fica "mais caro" em reais — e aí é lucro em câmbio. Mas a história principal é sobre renda fixa internacional descortinando oportunidades de novo.
Para quem tem carteira diversificada e parte dela em moeda estrangeira, essa é a hora de avaliar se os títulos internacionais fazem sentido no contexto. Não é "comprar dólar" — é entender que há ativos além da Selic oferecendo alternativas reais.