A inflação dos Estados Unidos surpreendeu para cima em maio: 4,2% na comparação anual, o maior nível em três anos. Isso é mais que os 3,8% de abril e muito acima do que o Federal Reserve gostaria de ver.
Para quem acompanha o mercado brasileiro, essa notícia mexe. O Banco Central tem feito cortes na Selic (a taxa básica de juros), reduzindo de 14,5% para combater a inflação interna. Mas quando a inflação nos EUA sobe, o Federal Reserve fica mais relutante em cortar seus próprios juros, o que faz o dólar ficar mais atrativo e pressiona a moeda brasileira.
A conexão é direta: se o dólar sobe contra o real, a inflação importada sobe aqui dentro (tudo que vem do exterior fica mais caro). Isso limita o espaço do Banco Central para continuar reduzindo juros, porque a inflação interna também volta a preocupar. É um ciclo que já conhecemos bem.
O mercado já começou a descontar isso. Quem apostava em quedas maiores da Selic daqui em diante está revendo as contas. A tal redução dos juros, que parecia um caminho mais certo, virou mais incerta.