Enquanto a Selic está em 14% (juros curtos), algo bem mais preocupante vinha acontecendo nas sombras: os juros longos — aqueles a 10, 20 anos — dispararam. E isso é um comunicado direto do mercado para o governo: "ei, achamos que vocês vão gastar demais e isso vai pressionar inflação e juros por mais tempo".
Como assim? Quando você pega dinheiro emprestado por muito tempo, o credor cobra mais caro porque quer proteção contra risco de inflação futura e contra a possibilidade de calotes. Se o mercado vê que a dívida pública está crescendo e as despesas do governo não estão sob controle, ele sobe a taxa que cobra nos títulos longos — é jeito dele avisar "não confio".
O fenômeno que o BTG e outros apontam é a conexão com gastos fiscais maiores. Quando o governo gasta muito acima da receita (impulso fiscal positivo, em jargão), a economia esquenta, a demanda sobe, a inflação sobe — e o Banco Central tem que manter ou subir juros por mais tempo. O mercado prevê isso e já cobra caro na curva longa.
Por que você deveria ligar? Porque juros longos altos mexem com tudo que é dívida de prazo longo: financiamentos de imóvel, títulos de renda fixa prefixados de longo prazo, debêntures, FIIs. Uma pessoa que pegou hipoteca a 30 anos já está travada — mas quem está pensando em isso sabe que o custo será maior.