Se você pensava que a economia brasileira só depende do Banco Central, das safras e do Copom, novidade: o que Trump decide também importa. Com a escalada de tarifas americanas no cenário internacional, a incerteza sobre a política comercial global virou uma variável tão importante quanto a Selic.
O mercado brasileiro está atento. As tarifas de Trump mexem com commodities, câmbio e, consequentemente, com a inflação por aqui. Quando o dólar sobe (por medo de retaliações comerciais), importações ficam mais caras, pressão inflacionária aumenta — e isso pode afetar decisões do Banco Central sobre onde as taxas de juros vão. Além disso, há a tal "megaeleição" (câmara de deputados com poder de mudar regras), que adiciona incerteza política doméstica.
Tudo isso significa que a previsibilidade da renda fixa (que já era um desafio com inflação elevada) virou ainda mais nebulosa. Quem tem posição em dólar, ativos internacionais ou até em prefixados quer entender o cenário lá fora porque ele impacta o valuation aqui. A agenda local está, por enquanto, mais branda, e a internacional se concentra em decisões do BCE (quinta-feira, 23 de julho) — movimentos lá podem mexer com apetite por risco no Brasil.
Em resumo: a economia brasileira virou exportadora de incerteza internacional. Nem tudo está nas nossas mãos.